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domingo, 1 de maio de 2011

Capítulo I

Mas o que é isso?”, pensou (seu nome), ao avistar um pequeno inseto (pelo menos parecia um inseto) voador que planava um pouco acima de sua cabeça. Nunca havia visto algo igual. Suas cores brilhavam como a luz do sol e seu voo era mais suave que a queda quase interminável das penas dos gansos das lendárias planícies douradas.

Maravilhado com aquela visão, lembrou do tempo em que uma beleza infindável fazia parte da paisagem natural do seu mundo. Já teria se passado tanto tempo assim? Tentou alcançar, lentamente, com sua mão esquerda, aquela graciosa criatura, que tantas lembranças e pensamentos felizes fazia brotar da fonte quase esgotada de sua alma. Absorto nesse momento raro de felicidade incomensurável, não percebeu a aproximação do capataz, que sem a menor hesitação, desferiu um golpe fatal no belo ser alado que, esfacelado, espalhou-se sem vida, levado pelo vento, emprestando nesse último momento de sua existência, um pouco de beleza ao frio e fúnebre solo dessa terra amaldiçoada...

Será a sua cabeça da próxima vez!” soou uma voz que mais parecia um rangido de agonia. Ao mesmo tempo, a pata do capatas - definitivamente aquilo não parecia ser um pé - atingiu o estômago do(a) incauto(a) escravo(a), obrigando-o(a) a curvar-se diante de tão nefasta abominação. O capataz era um Ghorn - criatura vil, atroz, invocada das profundezas durante a Grande Fúria. (INSERIR DESCRIÇÃO DO GHORN)
Volte ao trabalho, escravo(a)!”, intimou o ghorn. Embora consumido(a) pela dor, levantou-se quase que imediatamente para não ser atacado(a) novamente; pegou suas ferramentas e, com dificuldades, voltou ao trabalho. Os outros escravos apenas ouviram o que aconteceu. Ninguém olhou. Ninguém desviou a atenção para o seu infortúnio...a pena seria pesada demais...pelo menos pensara assim...

*     *     *

- “Até quando isso continuará acontecendo?” sussurrou (DÊ UM NOME PARA O(A) PERSONAGEM), um(a) jovem entre 15 e 16 anos, que observava a cena, pelo canto dos  olhos, para não chamar a atenção sobre si.
-“Calma, tenha calma...”, consolou o velho ao seu lado. “ A hora da nossa liberdade se aproxima. Aquela pequena criatura era uma Flebnar.”
-” Uma Flebnar?!?”, respondeu surpreso o(a) jovem ________.
- “Sim. Os Flebnars raramente aparecem, revelando-se apenas nos momentos de maior dificuldade e sofrimento do nosso mundo.”
- “Mas o que uma pequena criatura como aquela pode fazer contras os Ghorns, vovô? Você viu o que aconteceu com ela. Nada fez...apenas ficou parada esperando a morte chegar”.
-”Uma flebnar não luta.” explicou o velho.
-”Então para o que ela presta?”, retrucou o(a)  jovem _____, sentindo novamente a esperança definhar dentro de si.
-”Ela revela aqueles que estão destinados a se levantarem contra o mal, tocando-os com sua magia e despertando sua força interior. Eles serão os campeões da nossa era. Os únicos capazes de reunir os Elementos Sagrados e invocar as lágrimas da Fênix, que fará nosso mundo ressurgir das cinzas. ”
- “Então quer dizer que aquele(a), que o Ghorn quase matou...”
- “Sim, ele(a) é um dos escolhidos...”.
-”Eu também gostaria de poder lutar por nossa liberdade...”, lamentou ______.
-”Você terá sua chance, meu(minha) filho(a). Olhe para baixo.”.

Ele(a) olhou, e viu que em cima de seu pé repousava uma pequena parte da asa da Flebnar. No mesmo instante sentiu o seu ser preencher-se de alegria e de uma força que nuca havia sentido até aquele momento...Pela primeira vez, após tanto tempo, um sorriso brotava em sua face.

*    *    *

Um céu estrelado e duas luas costumavam iluminar as noites mornas de Kahndhar. Mas agora tudo isso é passado. Não há mais estrelas no céu e as luas são vermelhas como sangue. O frio insuportável castiga impiedosamente àqueles que não tem a fortuna de encontrar abrigo e acabam encontrando uma morte lenta e silenciosa.
Nas minas, os escravos ficavam perto das caldeiras, onde se revezavam em turnos para dormir e trabalhar.
Veja quem está ali, vovô!” - apontou __________.
Vamos até lá, temos pouco tempo!” - disse o velho.
Aproximaram-se do(a) jovem _____________, que ainda sentia as dores do golpe que sofrera.
Olá”- saudou o velho.
Quem são vocês?” - Perguntou, com receio, o(a) jovem machucado(a)________
Eu sou ___________, e ele é______________. Nós vimos o que aconteceu com você hoje à tarde!”.
Isso é mais que comum por aqui...deixem-me em paz.” retorquiu o(a) jovem.
Nós vimos a Flebnar que estava com você!”
Fleb o que?” -
Flebnar, aquele pequeno ser alado que você estava admirando antes da chegada do ghorn...” -
Então, você sabe o que era aquilo?”
E o velho __________ contou sua história.
Atordoado com tudo o que ouvira, _____________, perguntou:
Campeões?!? Como podemos ser campeões? Somos escravos! Estamos presos, à mercê dos ghorns, que tem nossas vidas em suas mãos! Para eles nada valemos. Vivemos e morremos conforme seus caprichos! Não, não somos campeões, velho... somos apenas escravos destinados à morte e ao esquecimento.”
Nem tudo é o que parece, jovem. Somos aquilo que desejamos e lutamos para ser. A liberdade pode ser alcançada, mas é preciso que você sonhe, que você a deseje e a construa através da sua vontade e da sua força. Hoje nos foi dada a oportunidade de sonhar. A Flebnar nos mostrou que ainda há esperança para nosso mundo. Você foi escolhido(a). Tenha fé!”
Fé? Nós não temos nem como sair daqui. Estamos presos. Não temos armas. Não existe saída.”
Talvez exista uma...mas apenas uma chance...”
Tanto _________ quanto ______________ ficaram atônitos com a afirmativa do velho.
O que você quer dizer?” perguntou ___________.
Há muito tempo trabalho nas fornalhas, e certa vez ao me distanciar para recolher refugos que haviam se espalhado para perto das fossas, onde os escravos fazem suas necessidades, vi algo acontecer. Quando parte do refugos incandescentes entrava em contato com a urina pequenas labaredas, extremamente luminosas surgiam. Curioso com aquilo aproximei-me e percebi que um pó branco se formava  quando a urina e os refugos se encontravam, quase que imediatamente ele virava uma labareda quente e luminosa.”
E como isso pode nos ajudar a sair daqui, velho?”
Como vocês sabem, depois de liquefeitos, os refugos são guardados em tonéis...”
E daí, velho?” - já perdendo a paciência...
Uma  boa parte dos tonéis não contem refugos...contém  urina de ghorn! “
Acho que entendi, velho! Nós vamos criar uma distração  dando um banho de xixi nos ghorns!!!” - disse, entusiasmado,
Dando um cascudo no(a) afobado(a) jovem, disse:
Não, cabeça oca! Vamos jogar os tonéis nas caldeiras! As labaredas e luzes vão chamar a atenção dos ghorns e nós poderemos fugir pelo esgoto atrás das tendas dos Ghorns!”
Cruzes!!!!!!! Agora começo a imaginar o que é escapar fedendo...”
E quanto aos outros?” , perguntou______________
Não teremos como tirá-los daqui!” setenciou _______________.
Vamos deixá-los á propria sorte?” insistiu ________________
Se conseguirmos sair, poderemos voltar para salvá-los depois. Ninguém pode saber do nosso plano. Se descobrirem estaremos mortos. Fugiremos amanhã à noite. Vamos dormir.” disse ______________, encerrando a discussão.
Sem que ninguém percebesse uma sombra também se retirou, levando consigo o segredo e o destino dos três escravos.
*   *   *

O dia transcorreu normalmente, embora a ansiedade desse a impressão de ter demorado uma eternidade para passar. A hora da fuga estava chegando. Os escravos reuníram-se como de costume perto das fornalhas para afastar o frio. Era a hora da refeição dos ghorns. Todos estavam muito ocupados. A maioria estava estava se alimentando, enquanto uns poucos vigiavam os escravos que ainda trabalham. Apenas um ghorn guardava os escravos que estavam descansando. Para chegar até às tendas seria  preciso passar por ele.
Chegou a  hora!” - disse o velho. - “Vá para os tonéis,_________. Ao meu sinal faça o que combinamos. Tenha cuidado.”
Sim, vovô!”
Teremos que passar rapidamente pelo ghorn quando as labaredas começarem, se ele nos vir estaremos mortos”
Se ele nos vir nós acabaremos com ele”, disse _________, pegando uma picareta que havia escondido durante o dia.
Vejo que a esperança renasceu em seu olhar e a bravura novamente inflama seu coração, mas se isso acontecer, apenas coragem não fará com que alcancemos os esgotos com vida.”
Nós podemos ajudar! Levem-nos com vocês” - Falou Kerougnahr, que estava à frente de um grupo de dez escravos.
Nós também vimos a Flebnar...não fomos escolhidos, mas não suportamos mais ver nossas famílias sofrerem dessa maneira”.
É muito arriscado!” Não conseguiremos passar despercebidos com um número tão grande de pessoas. Seremos todos mortos” - decretou o velho.
Nós sabemos quem você é, velho! Juntos conseguiremos dar cabo daquele ghorn ” - insistiu o escravo.
Antes que pudessem dar prosseguimento à discussão, um grito irrompeu à entrada das fornalhas:
São eles! São eles! “- bradava uma figura pérfida, que apontava insistentemente em nossa direção. Ele estava acorrentado e era arrastado pelo chão por dois ghorns.
Não havia mais a nada a se discutir. Os ghorns partiram em direção ao grupo. O velho, sem hesitar, levantou sua mão direita. Dela brotou uma luz alaranjada.
Era o sinal! O(a) jovem _______, imediatamente soltou as amarras que prendiam os tonéis, e estes rolaram em direção às fornalhas.
Fechem os olhos!” Gritou o velho.
Logo no primeiro impacto, um brilho intenso, como nunca se havia visto até então, preencheu a noite, transformando-a em dia. Os ghorns e os escravos que foram pegos de surpresa pela torrente luminosa nada conseguiam enxergar.
Vamos, esta é a nossa chance!” - gritou o(a) ________, dirigindo-se para as tendas. O (a) jovem ________, já estava dando a volta por trás do depósito dos tonéis para se encontrar com seu avó.
O caos havia sido estabelecido. Os ghorns, enlouquecidos pela cegueira, massacravam a todos que encontravam pelo caminho. Os escravos, desesperados e cegos, corriam a esmo, uns encontrando seu fim indo de encontro aos ghorns, e outros pisoteados por sua própria gente. Os gritos e lamentos de desespero e morte se misturavam ao som crepitante das labaredas das fornalhas.
Não podemos mais fugir!” - disse  Kerougnahr - “Eles serão massacrados!”
E nós também se ficarmos!” - respondeu um escravo que ia mais atrás.
Pelo menos morreremos por algo que vale a pena!” - retrucou nosso(a) herói(na).
Nesse momento o(a) jovem___________, os alcança.
Vovô!!!”- Em seus olhos estava estampado o horror das cenas que estava presenciando. Nunca vira nada igual. Alguns castigos, torturas e até execuções, é verdade...mas nada que se pudesse comparar àquele massacre. Pela primeira vez ele(a) via a verdadeira extensão da crueldade dos ghorns.
Calma, minha criança! Você fez tudo como combinamos?”
Sim,sim, eu fiz!” - respondeu em meio aos soluços.
Tome isso.” - Disse o velho colocando um cordão prateado com um pingente dourado na forma de uma ave. “Ele te protegerá, na sua jornada”.
O velho repousou sua mão, posicionando o pingente sobre o coração do(a) neto(a), e um tênue brilho azul os envolveu, diminuindo aos poucos até se concentrar na delicada jóia.
Agora o legado da nossa família é seu! Lembre-se de tudo o que eu te ensinei.”
Mas, vovô... o que...”.
Antes que o(a) garoto(a) pudesse completar a frase, o velho se levantou, e virando para (aqui é o herói da história), disse:
Leve-o(a) com você!”
Eu não irei fugir enquanto vocês ficam aqui para morrer! Já me acovardei demais, agora chega!”
Admiro sua bravura, ela enche me coração de esperança. Mas este não é o momento para heroísmo. Vocês foram os escolhidos. Se não conseguirem sair daqui, tudo estará perdido. Nada disso terá valido a pena. Todos terão morrido em vão.” - setenciou  o velho.
Mas...”
Nada de mas...pegue meu(minha) neto(a) e vá. Encontrem os Elementos! Nosso mundo está em suas mãos agora.”
Nesse momento, o efeito da cegueira nos Ghorns passou. E um grupo deles, sedentos de sangue humano se dirigiu para exterminar os fugitivos.
É agora...” - suspirou Kerougnahr.
Vamos morrer...” - gemeu outro escravo.
Fechem os olhos, esperem, fiquem atentos e ajam ao meu sinal...” - disse o velho com uma altivez e segurança como há muito tempo não se via naquele campo de escravos.
Só em saber que você lutará conosco, velho, nos dá uma esperança de vitória!” - sussurrou Kerougnahr.
A força que me resta não é suficiente para nos levar a vitória...” - respondeu o velho com um suspiro de tristeza.
Mas levaremos muitos deles conosco. Morreremos como homens devem morrer: Livres!” - disse Kerougnahr.
Por um breve instante, o velho achou ter visto um leve brilho sobre a fronte do valente escravo. E por um instante, nos recônditos de sua alma sorriu.
Quando os ghorns estavam prestes a se precipitarem sobre eles, um estrondo se fez ouvir, e o tonéis restantes rolaram rumo às fornalhas. Uma  pira flamejante, em forma de pássaro se ergueu em direção ao negro céu da noite. Mas, agora, para desespero dos escravos, seu brilho não atingiu a todos os ghorns.

Sem perder tempo o velho bradou para seu(ua) neto(a) e o(a) jovem______:
Agora, corram!!”  - sendo acompanhado por Kerougnahr - “Liberdade! Lutem! Liberdade!”
Os escravos, portando apenas suas ferramentas como armas,  e liderados por Kerougnahr, partiram para cima dos ghorns.  
Quando parecia que seriam trucidados, algo já há muito esquecido, acontece! Raios descem do céu fulminando os ghorns mais próximos, e uma parede de fogo se ergue separando os escravos de seus carrascos. Era o velho!
Ao verem o velho mago, os escravos que estavam amedrontados, perceberam que nem tudo estava perdido. Será que ainda havia esperança para suas famílias que estavam espalhadas pelo mundo, sob o jugo dos ghorns? Um a um foram pegando suas ferramentas e as armas dos ghorns mortos. Logo se juntaram ao grupo de Kerougnahr.
Não poderei segurar e barreira por mais tempo, Kerougnahr” - disse o mago. “E não há para onde fugir”.
Não se preocupe, velho. Poupe suas energias. Liberte-nos para a vitória! Venceremos de qualquer jeito. Vivos ou mortos. Pois hoje os ghorns descobrirão que não nos curvaremos mais.  Que o tempo de submissão e terror está para acabar. Eles ouvirão a palavra “homens” e tremerão. Liberte-nos mago. Liberte-nos para a VITÓRIA!!!”
    “Até o reencontro, bravo guerreiro!” - saudou o mago.
           “Até o reencontro, velho! LIBERDADE!!” -  Gritou Kerougnahr sendo acompanhado por todos os escravos. O grito se repetiu até o velho mago desfazer a muralha, projetando o fogo para os ghorns mais próximos.
    Os escravos avançaram contra a horda de ghorns. O mago os protegia com seus poderes elementais, disparando raios e labaredas impetuosas na tentativa de oferecer uma chance, por menor que fosse, àqueles valentes guerreiros nascidos do sofrimento e do desejo de libertação.
Homens e ghorns tombavam como há tempos não se via.
             De repente, os ghorns começaram a recuar, como se fossem bater em retirada. Era inacreditável. Uma turba de escravos havia conseguido subjugar as terríveis criaturas. Todos gritavam de alegria. Sentiam, enfim, o gosto da vitória e da liberdade. A alegria contagiara a todos...menos o mago. Ele sentia que algo estava errado. Os ghorns haviam se retirado rápido demais...

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